O dia não estava sendo muito gentil. Acordou atrasada, saiu correndo, esqueceu do café!
Agora estava sentada em frente ao computador percorrendo um rio infinito de palavras tentando em vão traduzir o que se passa.
Voltou do trabalho e passou direto pelo mercado, muitas burrices para rechear um dia já meio chato e capenga. O dia era de inverno, mas estava um calor dos infernos, daqueles que deixa a bochecha vermelha e a gente agoniado. Era dia de jogo da copa, o Brasil estava disputando com a Colômbia as oitavas de final, e era óbvio que isso não interferia em muita coisa.
Estava prestes a sair do carro, suando em bicas, o neném reclamava no banco de traz sentadinho preso na cadeirinha, se inclinou para pegar a chaves e viu um vazamento no carro, um liquido meio lilás pingava como se não houvesse amanhã. O que raios era aquele líquido? Não precisava entender muito de carro para entender que aquilo estava muito errado e definitivamente era um mau sinal! Maravilha, o que fazer agora? Enquanto pensava na solução foi saindo do carro, soltando o piazinho, ao abrir o porta malas pensou " vou pegar apenas o que pode estragar"! Raios, pegou quase tudo! E se pegou pensando porque algumas coisas tinham que ser tão chatas e difíceis. Ensaiou alguns passos, e quem a olhasse viria alguém ferrada! Duas bolsas penduradas atravessadas, o cobertor da criança meio encardido junto com as bolsas quase caindo, as sacolas - umas 15, todas em uma mão e o garotinho correndo pelo estacionamento muito feliz, alheio a tudo!
Suas mãos doíam e as alças quase cortavam seus dedos. Estava com a garganta inflamada então evitava de virar o pescoço. Estava sem carro, o calor continuava, o menino não queria acompanhar os passos apressados, ela pensava nos próximos dois andarem que teria que subir, rezando para encontrar alguém que lhe oferecesse ajuda. Nessas horas nunca encontrava ninguém. Estavam todos muito ocupados com seus próprios problemas, assim como ela. Como culpar? A gente tem essa mania de viver como dá!
Subiu as escadas carregando as sacolas de um lado, e o filho pendurado do outro lado e o coração meio pesado. Ao chegar em sua porta quase sorriu.
Jogou as sacolas em cima da mesa - tomou cuidado extra com os ovos. Entraram, e ela o levou gentilmente para a sonequinha da tarde. Invejou aquela inocência e paz. Pensou em dormir também, mas resolveu escrever esse texto enquanto chorava suas pequenas amarguras, enquanto ouvia a festa da vizinhança...
Vai Brasil!
sexta-feira, 4 de julho de 2014
sexta-feira, 21 de março de 2014
Inflexões...
Então é isso, abro a sacola e vou juntando os cacos. Mais cacos, em quantos somos capazes de nos quebrar, transformar e desfazer?
Quem poderia arriscar dizer que foi diferente, ao menos por um pouco de tempo? Criamos personagens para preencher lacunas em nós mesmos, e quando esses personagens se mostram pessoas comuns, tão cheios de insegurança, medos e expectativas quanto nós o sonho começa a se dissipar.
Somos pré dispostos a acreditar que precisamos de alguém que nos complete. Gosto da ideia de alguém que me transborde. A questão é, precisa existir uma pessoa? Passei anos da minha vida saindo de um namoro para cair em outro, infinitamente cheios de equívocos, tentar encontrar alguém sem ao menos encontrar um pedacinho sequer de mim mesma.
Hoje sinto os olhos, coração e pés mais secos e judiados. Muitas foram as vezes que as próprias lágrimas suavizaram o caminho dos meus pés. Coração em suspensão, esperando o tempo passar, e sempre passou. Um lugar leva a outro e inevitavelmente as coisas perdem a importância, ficamos mais fortes.
Levo coisas demais comigo, algumas vezes experiência, outras vezes bobagens, bagagens. Ressacas, são sempre tão parecidas.
Quem poderia arriscar dizer que foi diferente, ao menos por um pouco de tempo? Criamos personagens para preencher lacunas em nós mesmos, e quando esses personagens se mostram pessoas comuns, tão cheios de insegurança, medos e expectativas quanto nós o sonho começa a se dissipar.
Somos pré dispostos a acreditar que precisamos de alguém que nos complete. Gosto da ideia de alguém que me transborde. A questão é, precisa existir uma pessoa? Passei anos da minha vida saindo de um namoro para cair em outro, infinitamente cheios de equívocos, tentar encontrar alguém sem ao menos encontrar um pedacinho sequer de mim mesma.
Hoje sinto os olhos, coração e pés mais secos e judiados. Muitas foram as vezes que as próprias lágrimas suavizaram o caminho dos meus pés. Coração em suspensão, esperando o tempo passar, e sempre passou. Um lugar leva a outro e inevitavelmente as coisas perdem a importância, ficamos mais fortes.
Levo coisas demais comigo, algumas vezes experiência, outras vezes bobagens, bagagens. Ressacas, são sempre tão parecidas.
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