Então é isso, abro a sacola e vou juntando os cacos. Mais cacos, em quantos somos capazes de nos quebrar, transformar e desfazer?
Quem poderia arriscar dizer que foi diferente, ao menos por um pouco de tempo? Criamos personagens para preencher lacunas em nós mesmos, e quando esses personagens se mostram pessoas comuns, tão cheios de insegurança, medos e expectativas quanto nós o sonho começa a se dissipar.
Somos pré dispostos a acreditar que precisamos de alguém que nos complete. Gosto da ideia de alguém que me transborde. A questão é, precisa existir uma pessoa? Passei anos da minha vida saindo de um namoro para cair em outro, infinitamente cheios de equívocos, tentar encontrar alguém sem ao menos encontrar um pedacinho sequer de mim mesma.
Hoje sinto os olhos, coração e pés mais secos e judiados. Muitas foram as vezes que as próprias lágrimas suavizaram o caminho dos meus pés. Coração em suspensão, esperando o tempo passar, e sempre passou. Um lugar leva a outro e inevitavelmente as coisas perdem a importância, ficamos mais fortes.
Levo coisas demais comigo, algumas vezes experiência, outras vezes bobagens, bagagens. Ressacas, são sempre tão parecidas.