sexta-feira, 4 de julho de 2014

Sobre coisas que não interessam a ninguém...

O dia não estava sendo muito gentil. Acordou atrasada, saiu correndo, esqueceu do café!
Agora estava sentada em frente ao computador percorrendo um rio infinito de palavras tentando em vão traduzir o que se passa.

Voltou do trabalho e passou direto pelo mercado, muitas burrices para rechear um dia já meio chato e capenga. O dia era de inverno, mas estava um calor dos infernos, daqueles que deixa a bochecha vermelha e a gente agoniado. Era dia de jogo da copa, o Brasil estava disputando com a Colômbia as oitavas de final, e era óbvio que isso não interferia em muita coisa.

Estava prestes a sair do carro, suando em bicas, o neném reclamava no banco de traz sentadinho preso na cadeirinha, se inclinou para pegar a chaves e viu um vazamento no carro, um liquido meio lilás pingava como se não houvesse amanhã. O que raios era aquele líquido? Não precisava entender muito de carro para entender que aquilo estava muito errado e definitivamente era um mau sinal! Maravilha, o que fazer agora? Enquanto pensava na solução foi saindo do carro, soltando o piazinho, ao abrir o porta malas pensou " vou pegar apenas o que pode estragar"! Raios, pegou quase tudo! E se pegou pensando porque algumas coisas tinham que ser tão chatas e difíceis. Ensaiou alguns passos, e quem a olhasse viria alguém ferrada! Duas bolsas penduradas atravessadas, o cobertor da criança meio encardido junto com as bolsas quase caindo, as sacolas - umas 15, todas em uma mão e o garotinho correndo pelo estacionamento muito feliz, alheio a tudo!

Suas mãos doíam e as alças quase cortavam seus dedos. Estava com a garganta inflamada então evitava de virar o pescoço. Estava sem carro, o calor continuava, o menino não queria acompanhar os passos apressados, ela pensava nos próximos dois andarem que teria que subir, rezando para encontrar alguém que lhe oferecesse ajuda. Nessas horas nunca encontrava ninguém. Estavam todos muito ocupados com seus próprios problemas, assim como ela. Como culpar? A gente tem essa mania de viver como dá!

Subiu as escadas carregando as sacolas de um lado, e o filho pendurado do outro lado e o coração meio pesado. Ao chegar em sua porta quase sorriu.

Jogou as sacolas em cima da mesa - tomou cuidado extra com os ovos. Entraram, e ela o levou gentilmente para a sonequinha da tarde. Invejou aquela inocência e paz. Pensou em dormir também, mas resolveu escrever esse texto enquanto chorava suas pequenas amarguras, enquanto ouvia a festa da vizinhança...
Vai Brasil!

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